Mensagens

Nova Pós-Graduação em Psiquiatria Geriátrica

Imagem
https://justnews.pt/noticias/nova-posgraducao-em-psiquiatria-geriatrica-para-medicos-de-varias-especialidades O Instituto Universitário de Saúde do Norte da CESPU  vai dar início, no final de março, à sua primeira Pós-Gradução em Psiquiatria Geriátrica, que decorrerá em formato de e-learning. De acordo com o psiquiatra Luís Fonseca, um dos coordenadores científicos do curso, "dentro da classe médica, todos poderão beneficiar com a formação". Contudo, a formação terá uma especial relevância para os médicos internos e especialistas de Medicina Geral e Familiar, Medicina Interna e Psiquiatria , "por força das suas competências e do contacto frequente com a sintomatologia psiquiátrica". Em declarações à  Just News , o docente, que é também o coordenador da formação pré e pós-graduada do Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital da Senhora da Oliveira Guimarães, salienta a pertinência deste novo curso, face ao envelhecimento da população mundial e, muito especial...

Portugal, eternamente vulnerável

Imagem
   Em artigo anterior , já sublinhei que ser médico é uma profissão com direitos e deveres, pelo que quem escolhe sê-lo tem, obviamente, legítimas aspirações de ser bem remunerado. Um médico lida com uma necessidade básica consagrada nos direitos humanos elementares, a saúde, assim como outras profissões lidam com outras (um professor com a educação ou um engenheiro com a habitação). Porém, no caso dos médicos, sociedades iletradas, mesquinhas e desdenhosas tendem, geralmente, a vilipendiá-los por terem rendimentos acima da média! Nos países verdadeiramente evoluídos aceita-se tranquilamente que estes profissionais sejam devidamente remunerados e que as horas extraordinárias, desde a primeira hora (em qualquer profissão, aliás), sejam devidamente pagas para compensar o profissional que abdica da sua vida pessoal para trabalhar. Na pandemia, numa situação de aperto, os médicos, e os profissionais de saúde em geral, foram apelidados demagogicamente de heróis. Passada a aflição, ...

Cidadania do respeito pela diversidade

Imagem
A Organização da Nações Unidas, constituída em 1945 após a Segunda Guerra Mundial, foi o embrião de um marco axiológico fundamental: o respeito pela diversidade. De facto, após a destruição global e as atrocidades cometidas em duas guerras mundiais, e cientes da necessidade de terminar com a conflitualidade milenar entre as nações que assolara a História da Humanidade, os líderes de cinquenta e um países perceberam que era fundamental um compromisso para a segurança e a paz internacional. O desenvolvimento de relações amistosas estáveis e duradoiras, promotoras de progresso social e de um aumento generalizado da qualidade de vida das populações, passou a estar no centro das preocupações e a nortear as ações políticas globais. O entendimento de que o mundo nada mais era do que uma aldeia e de que a maior riqueza da humanidade era a sua diversidade sedimentaram-se como o esteio de documentos fundamentais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) ou a Declaração sobre Bioét...

A ansiedade é doença?

Imagem
  Antes de abordar o tema a que o título alude, gostaria de iniciar este artigo com duas considerações relacionadas e de grande importância. A primeira, é alertar para a predisposição generalizada das sociedades contemporâneas se focarem numa visão excessivamente idílica do mundo e do ser humano. Por um lado, enfatiza-se, de forma desfasada da realidade, o Homo Sapiens Sapiens como uma espécie inata e generalizadamente dotada de uma bondade pura e, por outro lado, insiste-se num primado do belo sobre o feio (no sentido estético e moral da vida), escamoteando a existência de condições aversivas como a violência ou a crueldade. A segunda, diz respeito à propensão frequente para a “psiquiatrização” de emoções, como a tristeza ou a ansiedade. Porém, estes “estados de alma” têm relevantes funções filo e ontogenéticas, ou seja, são essenciais para a sobrevivência das espécies e para o desenvolvimento harmonioso do indivíduo, respetivamente. A tristeza, por exemplo, é fundamental para rea...

A Prisão Perpétua é um retrocesso civilizacional (menos para os doentes psiquiátricos)

Imagem
  Há temas merecedores de debates substantivos, sóbrios e ausentes de corporativismos ou mundividências dogmáticas. A discussão da natureza humana é certamente um desses assuntos e deve, portanto, ser abordada com realismo, sinceridade e sem qualquer espécie de candura que camufle ou distorça, de alguma forma, a essência dicotómica do Homem, onde gravita todo um espectro caracterial entre a pura maldade e a genuína bondade. Partamos, pois, da elementar assunção de que “a matriz Humana é dicotómica (uma batalha permanente entre pulsões de destruição e construção) ” [1], “a maldade, no sentido da prática de atos hediondos e desumanos, não é condição sine qua non de qualquer perturbação psiquiátrica” [2] (de outra forma, não precisaríamos de prisões mas apenas de instituições psiquiátricas) e que “é fazendo uso inconsciente da propriedade humana da empatia que as leis e a sua gradação punitiva são estabelecidas [3] A adequada e proporcional responsabilização desde tenra idade (por exe...

A responsabilidade da parentalidade

Imagem
    A decisão de ter um filho deve ser ponderada, realista, responsável e esclarecida.   Em primeiro lugar, é preciso ter desde logo presente que o papel de pai e de mãe não é um conto de fadas e que exercê-lo está muito para além da simples condição de progenitor. Angústias mais ou menos intermitentes, cansaço inerente aos cuidados e à responsabilidade, alterações da dinâmica do casal e das suas relações sociais e lúdicas e uma amargura constante relativamente à impossibilidade de garantir em absoluto a felicidade, a segurança e a saúde de um filho são parte relevante das vivências da parentalidade.   Em segundo lugar, uma vez que um filho é sempre alheio à decisão da sua própria criação e nascimento, o alcance da obrigação cuidadora dos pais não se deve esgotar na satisfação directa de necessidades elementares como a alimentação, os afectos, a saúde ou a educação. Uma participação activa na comunidade e, num sentido mais amplo, no mundo, procurando melhorá-lo, deve...

Consequências da patologia da (i)literacia e demográfica

Imagem
    Há quem, legitimamente, defenda a saída de Portugal do Euro e da União Europeia (UE), sendo contra as economias liberais de mercado e as regras orçamentais europeias, tenha uma repulsa pela atividade privada empresarial e se debata pela estatização da economia. Contudo, num planeta que, no âmbito do desenvolvimento tecnológico, é uma autêntica aldeia, como financiar as políticas de despesa reclamadas num Estado falido e dependente de terceiros? Com Programas de Recuperação e Resiliência (PRR’s)? Deveras paradoxal: clamar, por exemplo, pela saída da UE e do Euro, mas aceitar de bom grado PRR's, não para criar riqueza (que pode, e deve, ser usada para combater as desigualdades sociais), mas para financiar despesa rígida!      As razões para que quase 50 anos depois do 25 de Abril os portugueses insistam em modelos que adiam o nível de desenvolvimento sócio-económico desejado são estruturais e multifactoriais. Uma sociedade complexada, com uma literacia e capac...