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Particularidades da Doença Psiquiátrica do Idoso

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  O Inverno Demográfico , uma hipótese apresentada por Gérard François Dumont para caracterizar o fenómeno do envelhecimento populacional em muitos dos países do mundo, incluindo Portugal, baseia-se na diminuição progressiva da taxa de fecundidade e na manutenção de uma taxa de mortalidade baixa. Morre-se, pois, cada vez mais tarde e o número de nascimentos   tem sido progressivamente menor. As projeções da estrutura populacional evidenciam uma tendência ao envelhecimento demográfico em todos os estados-membros da União Europeia. Em Portugal, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística e dos últimos Censos, entre 2011 e 2021 verificou-se uma diminuição da população em todos os grupos etários, com exceção da população idosa, onde ocorreu um crescimento de 20,6%. Prevê-se que o número de idosos seja cada vez maior e na categoria da idade superior aos 80 anos o crescimento será particularmente acentuado. Em 2018, esta faixa etária representava 6,3% da população port...

Herói? Nunca fui, não sou e não quero ser.

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No artigo de opinião intitulado “A Profissão Médica” , publicado no Observador a 12 de março de 2021, já sublinhei que um Médico exerce uma profissão legalmente regulada, com deveres e direitos. Contudo, em face da degradação contínua a que venho assistindo desde há anos da profissão médica, sinto-me compelido a abordar de novo o assunto No cartão da Ordem dos Médicos lê-se a seguinte citação: "A saúde do meu doente será a minha primeira preocupação". Não, lamento. A minha saúde é a minha primeira preocupação. São estas afirmações que enraízam na opinião pública a ideia da Medicina como um sacerdócio e não como uma profissão . Ao alimentarmos (nós, médicos) esta romantização completamente despropositada, colocamo-nos à mercê da demagogia e do ataque aos nossos direitos laborais. É surreal e degradante uma classe profissional, por exemplo, aceitar ser obrigada a horas extraordinárias ou ter aceitado passivamente que os médicos ficassem impedidos de sair do SNS durante a pa...

Premissas básicas para um País evoluído, dinâmico, influente e resiliente

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Reformar a Saúde Mental

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      Em primeiro lugar, parabenizo o  Observador  por, dentro das suas competências e possibilidades, colocar o tema da Saúde Mental na “praça pública”. Espero que se possam desconstruir tabus, desmistificar preconceitos, combater o estigma, eliminar a desinformação e sublinhar a importância do tema para a sociedade. De facto, apesar do seu enorme impacto clínico, sociofamiliar e económico, as perturbações mentais não têm ocupado o lugar de relevo que merecem, e que se exige, nos centros de decisão. Apesar de vários planos e ideias redigidas, a verdade é que pouco tem saído do papel ou o que sai tem, em geral, sido efetivado de forma soluçante e muito insidiosa.    Pessoalmente, e tomando como exemplo as reformas de saúde mental e a sua operacionalização nos países mais evoluídos (como os escandinavos), considero que há linhas de atuação verdadeiramente essenciais, sem as quais pouco, ou nada, se alterará de significado. O inverno demográfico e a evol...

Nova Pós-Graduação em Psiquiatria Geriátrica

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https://justnews.pt/noticias/nova-posgraducao-em-psiquiatria-geriatrica-para-medicos-de-varias-especialidades O Instituto Universitário de Saúde do Norte da CESPU  vai dar início, no final de março, à sua primeira Pós-Gradução em Psiquiatria Geriátrica, que decorrerá em formato de e-learning. De acordo com o psiquiatra Luís Fonseca, um dos coordenadores científicos do curso, "dentro da classe médica, todos poderão beneficiar com a formação". Contudo, a formação terá uma especial relevância para os médicos internos e especialistas de Medicina Geral e Familiar, Medicina Interna e Psiquiatria , "por força das suas competências e do contacto frequente com a sintomatologia psiquiátrica". Em declarações à  Just News , o docente, que é também o coordenador da formação pré e pós-graduada do Serviço de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital da Senhora da Oliveira Guimarães, salienta a pertinência deste novo curso, face ao envelhecimento da população mundial e, muito especial...

Portugal, eternamente vulnerável

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   Em artigo anterior , já sublinhei que ser médico é uma profissão com direitos e deveres, pelo que quem escolhe sê-lo tem, obviamente, legítimas aspirações de ser bem remunerado. Um médico lida com uma necessidade básica consagrada nos direitos humanos elementares, a saúde, assim como outras profissões lidam com outras (um professor com a educação ou um engenheiro com a habitação). Porém, no caso dos médicos, sociedades iletradas, mesquinhas e desdenhosas tendem, geralmente, a vilipendiá-los por terem rendimentos acima da média! Nos países verdadeiramente evoluídos aceita-se tranquilamente que estes profissionais sejam devidamente remunerados e que as horas extraordinárias, desde a primeira hora (em qualquer profissão, aliás), sejam devidamente pagas para compensar o profissional que abdica da sua vida pessoal para trabalhar. Na pandemia, numa situação de aperto, os médicos, e os profissionais de saúde em geral, foram apelidados demagogicamente de heróis. Passada a aflição, ...

Cidadania do respeito pela diversidade

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A Organização da Nações Unidas, constituída em 1945 após a Segunda Guerra Mundial, foi o embrião de um marco axiológico fundamental: o respeito pela diversidade. De facto, após a destruição global e as atrocidades cometidas em duas guerras mundiais, e cientes da necessidade de terminar com a conflitualidade milenar entre as nações que assolara a História da Humanidade, os líderes de cinquenta e um países perceberam que era fundamental um compromisso para a segurança e a paz internacional. O desenvolvimento de relações amistosas estáveis e duradoiras, promotoras de progresso social e de um aumento generalizado da qualidade de vida das populações, passou a estar no centro das preocupações e a nortear as ações políticas globais. O entendimento de que o mundo nada mais era do que uma aldeia e de que a maior riqueza da humanidade era a sua diversidade sedimentaram-se como o esteio de documentos fundamentais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) ou a Declaração sobre Bioét...